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Dando vida ao smartphone

October 30, 2011

Este texto surgiu ontem, durante uma entrevista de emprego. Eu devia escrever um texto sobre “dar vida a um objeto inanimado”. No papel de Dr. Frankenstein, fiz do meu smartphone meu monstro. “Está vivo!”, pensei, enquanto uma gargalhada maníaca ecoava em minha mente. Delírios à parte, gostei tanto que tirei cópia para transcrevê-lo aqui. Espero que gostem também. Lá vai.

Será necessário? Smartphones hoje em dia fazem tantas coisas. São GPS, agenda, videogame, conectam-se à internet… E até fazem ligações.

Como assim são por natureza, creio que meu smartphone, caso fosse vivo, seria deveras solícito. Me acordaria com suaves chacoalhões, ao invés de – culpa minha, admito – berrar uma música do Metallica às 6h da manhã. E já traria pronto meu café. Forte, adoçado e sem leite. Seus 16gb de memória seriam mais que suficientes para guardar minhas preferências pessoais mais específicas. Já deixaria também separados os comprimidos que diariamente põem minha cabeça e estômago nos eixos. Além de não me deixar desligá-lo e dormir os clássicos “cinco minutinhos a mais” que freqüentemente tornam-se horas de atraso.

Meu smartphone seria educado, esperaria sua vez de falar, coisa rara em uma sociedade onde tantos tentam se expressar e são calados por forças maiores contrárias às suas idéias. Seria polido e trataria todos com respeito, em um lugar onde as pessoas não conseguem conceber que antes de entrarem no metrô ou trem, devem esperar as outras saírem dele, visto que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Creio que precisamos de aulas de reforço em física nas escolas.

Meu aparelho seria ainda tímido, reservado, mas amistoso. Influência, talvez, do proprietário. Não posso afirmar com certeza, nunca analisei a personalidade de smartphones alheios para compará-los ao meu e a seus donos. Aliás, caso possível fosse dar vida a um smartphone, surgiriam novas profissões: Técnicos em telecom seriam também psicoterapeutas de celulares, ao fazerem cessar as vozes que ecoam na cabeça de tantos dispositivos móveis, assistências técnicas virariam hospitais, fábricas de capas para celular virariam grifes, com direito a desfile e talvez até fashion week própria.

Além de tudo, teria um humor levemente negro e um tanto quanto sarcástico, com direito a vez por outra propositalmente perder o sinal em situações que eu realmente precisaria dele. Teria uma certa admiração por Charles Bukowsky e pela arte de Vincent Van Gogh. Apreciador de Kentish Ale e fã de Nei Lisboa, músico do qual boa parte do acervo está na biblioteca de MP3 do smartphone.

E além de tudo, ainda faria ligações.

Troféu ou Mulher?

October 17, 2011

Recentemente, conversando com uma amiga, ela me revelou que estava mal pois o cara com quem ela estava saindo terminou, por achá-la “muita areia para o caminhão dele”, já que é uma guria de personalidade forte. E quando digo personalidade forte estou usando o termo da forma correta, não pejorativa referente a pessoas agressivas e estressadas, como geralmente se usa. Ela é uma mulher com opiniões formadas acerca de muita coisa, sabe defender bem seus pontos de vista e sabe conversar. É daquele tipo de pessoa que se destaca dos demais pelo nível cultural, que faz a maior parte das pessoas sentirem inveja por não conseguirem se aprofundar tanto em um assunto e não terem desenvolvido sua capacidade mental a ponto de argumentar o suficiente em uma discussão. E aparentemente foi a primeira mulher assim que o cara encontrou. Digo isso pois a tendência natural do ser humano é se afastar do que teme. E provavelmente ele tinha medo de ser ofuscado por ela.

Sim, é um pensamento machista: “Como assim, ser ofuscado por uma mulher?”. Machista e escroto, tal qual a nossa putrefata sociedade. Existem pessoas com grande capacidade intelectual em ambos os gêneros. Exemplo prático: A Condessa de Lovelace. E além disso, se ela investiu em cultura da parte dela e ele preferiu fazer outra coisa, azar o dele. Não conheci o cara, mas com certeza não deve ser alguém tão agradável se se conversar quanto ela. Sinceramente, eu não consigo entender esse tipo de pensamento masculino. É algo tão neandertalense pra mim que foge do racional. Qual a necessidade de se sentir superior? Apesar de ainda termos controle da igreja sobre o estado em muitos lugares do mundo, a idade média já passou e esse pensamento idiota já foi refutado.

Ada Lovelace

Ao contrário do que pensa a maioria, nem sempre softwares foram escritos por nerds gordos.

Eu sinceramente prefiro mulheres inteligentes e com conteúdo. É ÓBVIO que aparência conta (homem ou mulher que disser que não, está mentindo), mas definitivamente está longe de ser tudo. Se eu quiser uma porta bonita e que todo mundo veja, coloco na entrada da minha casa. Sentir tesão por alguém é fácil, isso acontece várias vezes ao dia, todo dia (gaúcho tarado, sai daqui!). Gente bonita tem em qualquer lugar. Tesão não sustenta relacionamento, beleza um dia acaba. Se eu quiser apenas um troféu pra me orgulhar cada vez que olhar e exibir na rua, vou participar de algum campeonato. O legal é se ENCANTAR por alguém.  É olhar para uma pessoa e pensar: “Que pessoa fantástica!”. É sentir que a presença dela te gera não só prazer aos olhos e/ou ao corpo, mas como um todo. É se sentir bem na companhia dessa pessoa em todos os sentidos, é admirá-la. E não apenas vê-la como um pedaço de bacon banhado em cheddar. Achar alguém que dê vontade de levar pra cama é fácil, achar alguém que te embriaga de prazer em qualquer ocasião é bem, beeeeeeeeeeeeeem difícil.

Tenho amigos e família com um nível cultural MUITO alto. Não quero ao meu lado alguém que me faça ser o principal motivo de piada nos natais em família. E outra coisa: Qual a graça de se relacionar com alguém que não tem assunto? Quero alguém que possa discutir comigo – preferencialmente em pé de igualdade – sobre qualquer assunto. Big Brother e novela não valem (Aliás, BBB me traumatizou – fui chamado de sem cultura por estar lendo Mário Quintana ao invés de ver BBB. Sad, but true). Qual a graça de ter alguém ao teu lado que se entedia facilmente com assuntos REALMENTE relevantes, que não tem opinião formada sobre a maioria das coisas, que não se informa do que ocorre ao redor dela e no mundo, que não questiona, que não consegue defender idéias (e fica brava quando lhe falta argumento, desconversa e/ou te xinga), de ter uma pessoa que não consegue te fazer mudar de idéia sobre determinado assunto, que é incapaz de lançar um argumento em uma discussão  tão forte e tão bem encaixado que te derruba tal qual uma cartela de rivotril ou uma porrada do Anderson Silva? Esse é o tipo de pessoa legal de se relacionar! Bom mesmo é ter alguém ao teu lado, não abaixo de ti. Senão deixa de ser relacionamento e vira subserviência, um lado dominante e outro dominado. Com anos de relacionamento, o sexo vai ficando mais escasso (chega uma hora que a pipa do vovô não sobe mais, né?) e nesse ponto a conversa se torna (mais) essencial ao relacionamento. É, também, um jeito de sentir prazer. Talvez tão bom quanto o sexual.

Ter um corpo bonito é fácil, 6 meses de academia e uma dieta relativamente controlada dão conta disso. Mas é preciso bem mais do que 6 meses para ter a carga cultural da minha amiga que estava com o frouxo supracitado. Uma guria bonita dificilmente será lembrada para sempre por sua beleza. Uma mulher culta e inteligente certamente deixará sua marca. A filha de Lord Byron aí está para comprovar isso.

Em tempo: Vi uma pesquisa científica onde dizia que as mulheres dão preferências a homens mais inteligentes e (consequentemente) com melhor poder aquisitivo. Já os homens preferem as mais belas, justamente para poder exibir aos amigos, ignorando o conteúdo.

Sinceramente? Eu não sei quanto aos outro homens, mas eu não devo nada a ninguém e não tô nem aí para troféus. Se eu quiser algo bonito apenas para exibir aos outros e fazê-los babar, eu compro um Porsche. Se querem prêmios meus amigos, virem jogadores de futebol.

Trilha sonora do Post: Kleiton e Kledir – Fonte da Saudade, The Rasmus – No Fear, Clan of Xymox – Consolation, Kleiton e Kledir – Estrela, estrela, Chico Buarque -  João e Maria, Kleiton e Kledir – Lagoa dos patos, Mercedes Sosa – Solo le pido a Dios, Nei Lisboa – Baladas, Nei Lisboa – Berlim-Bom fim e muitas outras do Nei Lisboa (muitas mesmo).

PS: Não é ela a amiga que gerou o texto, mas se gostarem do texto, agradeçam à Camila Gamino. Ela que ficou me cobrando para atualizar o blog após os meses parado.

Ah, esse ser misterioso e fascinante chamado mulher…

June 26, 2011

Esse texto foi escrito há 3 anos atrás e venho há algum tempo ponderando sobre colocá-lo aqui. Não sei se deveria fazê-lo, mas agora já foi. Espero que apreciem.

Em uma exposição de fotografias, ouvi a seguinte frase do fotografo: “Para fotografar nu feminino, é preciso gostar de mulher”. Eu sorri, porque na minha cabeça aquilo parecia meio óbvio… Mas antes que qualquer um fizesse algum comentário, ele completou: -Não se trata de gostar de mulher no sentido sexual, ter tesão por mulher nua, essas coisas. Isso pode ter também. Mas, se trata de gostar de mulher, em um sentido mais profundo. Gostar do universo feminino. Observar que cada calcinha é única, tem uma rendinha diferente e ficar entretido com isso – afirmou.

Não basta ser heterossexual, o machão latino. Para gostar de verdade de uma mulher, são necessários outros requisitos que são raros. Por isso a mulherada anda insatisfeita. Sensibilidade é fundamental. Paciência também. O homem que não tem paciência para escutar a necessidade que a mulher tem de falar, ou sensibilidade para cativá-la a cada dia, não gosta de mulher. Pode gostar de sexo com mulher. O que é bem diferente.

Gostar de mulher é algo além. É penetrar em seu universo, se deliciar com o modo com que ela conta todo o seu dia, minuto por minuto, quando chega do trabalho. Ficar admirando seu corpo, ser um verdadeiro devoto do corpo feminino, as curvas, o cabelo, seios. Mas também cultuar a sagacidade feminina, sua intuição, admirar seu sorriso, que é muito mais espontâneo que o nosso. Gostar de mulher é querer fazê-la feliz. Levar flores sem nenhum motivo a não ser o de ver seu sorriso. É escutar pacientemente todas as queixas.

O homem que gosta de mulher não está preocupado em quantas mulheres ele comeu durante a vida, mas sim, com a qualidade do sexo que teve. Quantas mulheres ele realizou sexualmente, fazendo-as se sentirem desejadas, amadas, únicas, deusas, na cama e na vida. O homem que gosta de mulher, não come mulher. Ele penetra não só no corpo, mas na alma, respirando, sentindo, amando cada pedacinho do corpo, e, é claro, da personalidade. “Para viver um grande amor é necessário ser de sua dama por inteiro”, afirmou Vinícius de Moraes no poema; Para amar verdadeiramente uma mulher, o homem deve ser totalmente fiel… traí- la, jamais! Amá-la até a raiz dos cabelos. Admirá-la, se deixar apaixonar todo dia pelo seu sorriso ao despertar… E principalmente conquistá-la, seduzi-la, como se fosse a primeira vez. O homem que não tem paciência, nem tesão, nem competência para lhe seduzir várias e várias vezes, esse, não se iluda… Não gosta nem um pouco de mulher. Conquistar o corpo e a alma de uma mulher é algo tão gratificante que tem que ser tentado várias vezes. Só que alguns homens, os que não gostam de mulher, querem conquistar várias mulheres.

Os que gostam de mulher são que conquistam várias vezes, a mesma mulher. E isso nos gratifica, nos fortalece e nos dá uma nova dimensão. A dimensão da poesia, do amor e em última instância, do impenetrável universo feminino. Gostar de mulher e penetrar em seu universo, não é torná-las cativas, e, sim, libertá-las, admirá-las em sua insuperável liberdade. Uma das músicas com que mais me identifico é uma em inglês – por incrível que pareça. “Have you really ever loved a woman.”, do Bryan Adams.

A música foi tema do filme Don Juan de Marco, e em uma tradução livre, quer dizer “Tu já realmente amaste uma mulher?”. Em toda a música o cantor fala sobre a necessidade de se conhecer os pensamentos femininos, sonhos, dar-lhe apoio, para amar realmente uma mulher. Essa música é perfeita. Como se vê, gostar de comer mulher é fácil. Agora… gostar de mulher é dificílimo!

E para os bagual véio que comentam aqui, eu pergunto: Have you really ever loved a woman? Só pra esclarecer, esse post não é pra ninguém em específico, só uma opinião própria da qual eu não tenho com quem “compartilhar”.

Now Playing:  Kleiton e Kledir – Paixão (ouçam a música e/ou leiam a letra, e entenderão melhor ainda o espírito do post.

L’amour…

April 19, 2011

Como diria o grande Martinho da vila, “Já tive mulheres de todas as cores, de várias idades e muitos amores”. Algumas marcam mais, outras menos. Mas todas tem seu charme, seu ponto alto. Mas ainda procuro a que vai ser a definitiva.

O ritmo estressante de vida em SP me levou a procurar namoradas em outras cidades e até mesmo outros estados. Estando em outro lugar, sinto-me mais confortável para viver uma relação mais saudável e para a qual eu possa me dedicar mais. Me afasto dos problemas do dia a dia, das preocupações do trabalho e da rotina de viver para trabalhar que todos os paulistanos natos ou “absorvidos”, como este gaúcho que vos fala, passam diariamente.

Conversando sobre isso com uma grande amiga, ela me diz: “Talvez você esteja certo em amar à distância, evita a rotina”. Discordo.

Rotina é algo que pode acontecer em qualquer relação, basta que um dos lados deixe. Van Gogh, antes de morrer, disse: “La tristesse durerá toujours”. A tristeza durará para sempre. Acredito que o amor também pode durar para sempre. E é até mais fácil de durar do que outras coisas(exceto o plástico e as pilhas duracell). A questão é fazer perdurar a paixão.

Paixão não é o meteoro daquele cantor estrábico sertanejo Luan Santana. É o fogo que alimenta um relacionamento. A paixão é mais carnal que o amor, é olhar nos olhos e sentir o desejo um pelo outro. O amor é ideológico, é abstrato. A paixão é física, é toque. Do carinho no rosto, ao sexo.

A mesma amiga, em seguida me perguntou: “Tu não enjoarias de transar com a mesma mulher sempre? De ouvir sempre as mesmas declarações?” Não, eu não enjoaria. Se fossem declarações sinceras e se a busca por novidades não só no sexo mas também fora dele, fosse constante. E sim, isso é difícil de conseguir. Exige algo que as pessoas não fazem questão de ter muito hoje em dia: Dedicação.

Infelizmente, hoje tudo foi banalizado a ponto de “eu te amo” ter virado bom dia. Mas por favor, não confundam e digam isso ao seus vizinhos no elevador às 7 da manhã. “Antes eu te amava, agora acho que te odeio. São tudo pequenas coisas e tudo deve passar”, diria o poeta Renato Russo. E é uma pena que os versos dele sejam tão condizentes com a realidade. Provas de amor são medidas não com atos para com a pessoa, mas sim alterando o status do facebook/orkut/whatever. O sentimento ficou raso como um pires. Relacionamentos começam e acabam com a mesma velocidade de um download em banda larga. E tão automáticos como o click do botão que iniciou a descarga do arquivo, inicia-se outro “eu te amo”…  Para outra pessoa.

Talvez se as pessoas se dispusessem a conhecer mais de quem estão se relacionando antes de iniciar algo sério, muitas frustrações poderiam ser evitadas. Teríamos novamente relacionamentos duradouros. Eu sempre digo que devemos escolher para um casamento não somente a pessoa mais bela que encontremos(até por que beleza um dia acaba), mas aquela que mais nos divirta, mais nos entretenha em uma boa conversa.

Me chamem de romântico à moda antiga, byroniano, o que quiserem. Mas eu ainda acho que é perfeitamente possível ter um relacionamento que dure muitos anos e até mesmo o resto da vida, ao lado da mesma pessoa. Essa mesma amiga disse certa vez que eu sou parte da “legião dos últimos homens românticos/caras para casar”, baseada em algumas outras opiniões minhas que ela sabe por já ter conhecer há tempos e por um outro texto meu. Mas isso aí é uma outra história, para um outro post…

Quebra costela de duas voltas e meia pros bagual e um beijo nas prendas!

Um novo começo…

April 19, 2011

Buenas, gurizada. Esse post é o inaugural do blog que pretende contar as desventuras de um bagual longe da querência, perdido na terra da garoa paulistana. Estou aqui há 11 anos e não me acostumo com certas coisas(como por exemplo o fato de os paulistas fazerem churrasco de bife e de as sinaleiras – semáforos, para o pessoal de outras partes do Brasil – serem chamados de farol.). Será também um lugar para críticas sociais, pensamentos soltos traduzidos em palavras, textos e opiniões, bueno. Espero que apreciem o conteúdo aqui.

E ofereço um trago do meu mate e um pedaço “dos dois pastel” a vocês!

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